Experiência Transpessoal: como utilizar a favor da sua liderança

Tempo de leitura: 7 minutos

A palavra “transpessoal” surgiu pela primeira vez em 1905, em um discurso de William James, considerado o “pai da Psicologia americana”. A partir de então, ela passou a figurar na teoria de diversos psicólogos importantes como Carl Jung, Gardner Murphy, Abraham Maslow, Anthony Sutich e Stanilav Grof. Todos eles falavam sobre a importância de se estudar e compreender melhor a experiência transpessoal.

Para eles, essas eram experiências nas quais a construção da identidade pessoal transcendia seus limites habituais e envolviam aspectos mais profundos, amplos e abrangentes.

O termo se tornou tão importante que ajudou a fundar a Psicologia Transpessoal – com estudos significativos para outros campos de conhecimento, inclusive a gestão de pessoas e a liderança.

Você nunca ouviu falar sobre experiência transpessoal ou não sabe como ela pode ajudar na sua vida pessoal e profissional? Continue a leitura e descubra!

O que é a experiência transpessoal?

Podemos entender uma experiência transpessoal como aquela na qual a pessoa está aberta e perceptiva aos aspectos individuais, coletivos e trans-individuais da sua identidade.

É a experiência de estar consciente de todo o seu ser (sentir, perceber e aceitar a sua própria identidade), expandindo os cinco sentidos e também estando mais empático ao que está ao seu redor.

Assim, é possível compreender a experiência transpessoal como aquela na qual há uma extensão da identidade para além da individualidade e da personalidade. Essas experiências criam uma ruptura no nosso senso de identidade, transcendendo as fronteiras do nosso corpo físico e do nosso “eu” – e vêm sendo estudadas especialmente pela Psicologia Transpessoal.

Para atingir esse nível de experiência, é possível usar uma série de técnicas, como meditação, yoga, hipnose e outras. Mas todas elas se baseiam em um alto poder de autoconhecimento, compreendendo também questões de espiritualidade, humanidade, vida, filosofia e outros que agem na nossa consciência e noção de mundo.

Dessa forma, por meio das técnicas de Psicologia Transpessoal, o que se espera é que a pessoa reconheça a centralidade do “eu”, ou seja, consiga se conhecer melhor, adquira consciência em relação às suas capacidades e se torne um poderoso agente de mudanças e transformações.

Qual é a relação entre experiência transpessoal e a liderança?

Como dissemos, as experiências transpessoais têm sido estudadas com mais afinco ultimamente – e a questão está sendo abordada sob diferentes vieses, inclusive com o desenvolvimento de um tipo de liderança conhecido como liderança transpessoal.

Nela, o que se espera do líder é que ele consiga transcender seu próprio ego e tomar decisões que tenham ganhos e produzam resultados consistentes e sustentáveis no longo prazo. Os benefícios desse tipo de liderança advêm do fato de que as decisões são tomadas levando em conta os interesses de todos que serão afetados por elas, como clientes, colaboradores, acionistas, família, comunidade, meio ambiente etc.

Por isso, chamamos esse tipo de liderança de transpessoal, porque ela vai além do simples ego e considera uma série de variáveis, sempre avaliando como cada ação impactará todos ao redor, sendo uma maneira mais empática de lidar com o todo que forma a empresa.

Dessa forma, o que se espera de um líder transpessoal é que ele consiga ir além das suas capacidades técnicas e operacionais e lide com o que não é visível aos olhos ou medido em gráficos, ou seja, consiga trabalhar com o sentir de todos os envolvidos no processo.

Essa liderança traz uma série de benefícios as empresas, como:

  • aumento do engajamento;
  • alta produtividade;
  • retenção de talentos;
  • redução do retrabalho;
  • melhora do clima corporativo;
  • melhora na competência emocional do time;
  • entre outros.

Isso porque o líder consegue abarcar diversas dimensões que atuam sobre nosso “eu”, como a dimensão cultural, econômica, ambiental, tecnológica, pessoal, espiritual, sentimental, entre outras.

Como usar a experiência transpessoal na minha forma de liderar?

Já está convencido de que a liderança transpessoal é uma maneira importante de transformar a forma como você encara e age com seus colaboradores e times? Separamos algumas dicas importantes para começar a expandir a sua consciência e aplicar esses conhecimentos na sua maneira de liderar.

Desenvolva o autoconhecimento

Antes de conseguir liderar uma equipe, ou sua carreira, ou sua vida, você precisa conseguir gerir a si mesmo. Por isso o autoconhecimento é a base de qualquer liderança transpessoal.

Para começar a desenvolver esse tipo de conhecimento, é essencial:

  • prestar atenção em si mesmo e entender que você existe e é um membro fundamental deste mundo;
  • viver sem julgamentos, sem dizer o que está certo ou errado no seu comportamento;
  • livrar-se da autoimagem desfigurada que possui de si e olhar-se com curiosidade, enxergando quem você é, seus valores, crenças, talentos e maneiras como se relaciona com o mundo.

A partir deste exercício, você começará a se entender melhor e poderá também ajudar a transformar outras pessoas, motivando-as.

Equilibre o REIS

O REIS se configura nos 4 pilares fundamentais da Psicologia Transpessoal, que devem estar equilibrados.

  1. Razão: compreende tudo aquilo que defende a dualidade. Assim, para todas as coisas existe um lado certo e outro errado. Ela está associada ao nosso aprendizado e planejamento, ou seja, ao nosso lado racional.
  2. Emoção: a necessidade de afeto e de aceitação são desequilíbrios estruturais que afetam de maneira negativa as nossas interações sociais. As emoções são as que procuram nos conectar com os demais e, quando estão em desequilíbrio, causam dependência e limitam nossa autonomia. Por isso é importante entendermos o que estamos sentindo e administrar as emoções a nosso favor.
  3. Intuição: fornece respostas àquilo que não conseguimos prever. É por meio da intuição que revelamos nossa criatividade e a transformamos em produtividade. É a intuição que nos liga ao sagrado, proporcionando insights que nos ajudam a termos uma visão diferente do mundo.
  4. Sensação: é o mais tangível dos pilares e é por meio dela que nossas ações são concretizadas.

Para conseguir o equilíbrio entre esses 4 pilares é importante se tornar um observador consciente. Ou seja, fazer com que sua experiência de autoconhecimento se transmute para a sua vivência como líder, de maneira mais efetiva.

Transforme a sua liderança

Quando você se conhece e está equilibrado, a maneira como lida com os demais também é diferente. Assim, ao desistir de lutar contra os outros, a possibilidade de diálogo se manifesta. Quando você parar de tentar assegurar o seu poder sobre os outros, eles passarão a levar suas palavras e ações mais a sério.

O verdadeiro poder do líder não está baseado nas aparências exteriores e nem na autoridade, mas sim na congruência e no equilíbrio interior.

Ao investirmos na experiência transpessoal, conseguimos nos entender melhor e nos equilibrar, modificando totalmente a maneira como nos relacionamos com os demais, tornando a nossa liderança mais inspiradora e transformadora, criando uma cultura transpessoal e empática.

Como você viu, a experiência transpessoal é um tema que tem sido muito debatido em diversos campos do conhecimento e que busca retomar a nossa ligação mais íntima conosco, reequilibrando emoção, razão, intuição e sensações – e modificando também a maneira como nos relacionamos com os demais e gerimos grupos de pessoas.

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